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Conheça um pouco sobre a viola de arame
por Junior da Violla

Acima Junior da Violla fala sobre a relação da viola de arame com o instrumento que conhecemos hoje como guitarra barroca, sua possibilidade de uso para a iniciação as cordas dedilhadas antigas e interpreta três peças: Minueto de 7º Tom (sé. XVIII), Gavotte da Suite em Ré Manor de Robert de Visée (1686) e Canarios de Gaspar Sanz (1674).

Instrumentos denominados “viola” aparecem em documentos brasileiros desde o século XVI. Eram a princípio instrumentos de cordas de tripa, dedilhadas, em forma de oito, que circulavam pela Península Ibérica a partir deste século: a vihuela (de 6 ordens de cordas duplas) e guitarra (de 4 ordens), no século XVII a guitarra espanhola (hoje barroca de 5 ordens) e no século XVIII a guitarra (clássico-romântica de 6 ordens), todos estes denominados pelos portugueses por VIOLA. Numa mudança de caráter regional em meados do século XVIII estes dois últimos ganham cordas de arame em Portugal e Brasil originando as violas luso-brasileiras conhecidas hoje. Abaixo uma viola de arame atribuida ao luthier Josef Dörfler do ano de 1740

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Vinda desses instrumentos a viola de arame pode se utilizar das mesmas práticas de seus antecessores como a forma de tocar, repertório, afinação e linguagem sendo uma excelente porta de entrada para o universo das cordas dedilhadas antigas. Ela não faz parte da música antiga alemã, inglesa, francesa ou espanhola, mas está intimamente ligada a formação musical luso-brasileira, a exemplo da modinha, cujo cantar em dueto de terças acompanhado a viola de arame e a viola francesa deu origem a formação característica das duplas caipiras no Brasil

Aspirantes das cordas dedilhadas antigas se veem diante de um quadro desafiador. Poucos construtores de instrumentos, dificuldades para obtenção de cordas e preços altos podem impossibilitar por vários fatores o estudo e o acesso ao gênero musical. A viola “caipira” moderna, possuindo as mesmas cinco ordens de cordas da guitarra barroca, pode abraçar todo o repertório desse instrumento de forma barata e acessível usando as mesmas configurações dos métodos de época. Pode também ser agente encaminhador do iniciante para outros instrumentos antigos

Afinação

Encordoadas com cordas de metal temos 3 tipos de violas de arame quanto ao número de cordas: com 10 cordas divididas em 5 ordens (mais comum hoje em dia), com 12 cordas dividida em 5 ordens (a mais comum no final do século XVIII) sendo as ordens 4 e 5 formada por trios de cordas com duas lisas e um bordão e 12 cordas em 6 ordens. Se em cinco ordens são afinadas da ordem grave para a aguda ADGBE, se em seis ordens EADGBE. No caso da viola de arame o primeiro par diferente dos instrumentos encordoados com tripa recebiam duas cordas. Os trastes, por causa do material das cordas, ja eram fixos de latão.​

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As violas de 5 ordens são aptas para tocar o repertório de guitarra barroca sem nenhuma adaptação necessária para tal. No caso de peças francesas pode-se trocar o bordão da ordem 5 por uma corda lisa para poder utilizar a reentrância. Na afinação espanhola basta manter os bordões nas ordens 4 e 5. As violas de 6 ordens podem tocar o repertório tanto da vihuela como da guitarra clássico-romântica. No caso da primeira para se aproximar mais do que era feito com o instrumento renascentista o ideal é encordoar com 6 pares em uníssono. No caso da guitarra clássico-romântica com as ordens 4, 5 e 6 oitavadas e as ordens 1, 2 e 3 uníssonas. Abaixo uma viola de 6 ordens possivelmente contruída pelo luthier de Lisboa José Coelho em 1820

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Formas de escrita musical

​Infelizmente devido a ausência de imprensa no Brasil colonial não dispomos de nenhum material para viola instrumental do século XVIII. O que temos são partituras de algumas modinhas. Para tentar reproduzir a música de viola que se tocava no Brasil dos setecentos temos apenas as peças de carater africano contida nos códices portugueses. Essas peças podem nos dar uma dica de como era a música de viola no Brasil na época. Na falta de mais repertório podemos nos debruçar sobre o repertório da guitarra barroca, da guitarra clássico-romântica e da vihuela. A viola de arame ao tocar o repertório de guitarra barroca se utiliza do mesmo sistema de escrita dessa, ou seja, as tablaturas italianas e francesas dos métodos de Gaspar Sanz, Santiago de Murcia, Corbeta, Carlo Calvi, Nicola Matteis entre outros. No caso do repertório de vihuela também se utiliza das tablaturas de época. No caso do repertório de guitarra clássico-romântica utilizamos as partituras de época dos métodos de Juan Antonio de Vargas y Guzmán, Gistal de Castro, Antonio Abreu, Fernando Ferandiére entre outros. Abaixo uma página do livro "Nova Arte da Viola" do amador Manoel da Paixão Ribeiro, editado em Coimbra, Portugal no ano de 1789.

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Livros disponíveis para download

Segue abaixo alguns livros de autores importantes para vihuela:

- Nova Arte da Viola

Manoel da Paixão Ribeiro (1789) - Download

- The Five Couses Guitar (viola) in Portugal and Brazil in the Late Sevententh and Eighteenth Centuries

Rogério Budasz (2001) - Download

Viola de Arame

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